19/1/2010 - 9h19m
Comida e emoções
Divulgação 
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Estudioso das influências psicossociais na relação dos homens com a comida, o neurologista e psiquiatra Giuseppe Ierace, ex-professor da Universidade de Messina, na Itália, diz que existe uma ligação direta entre o chamado lobo límbico, centro das emoções no cérebro, e o córtex gustatório e olfatório, regiões onde os sabores e odores são processados. No passado, na evolução da espécie as preferências de gosto eram uma resposta aos condicionamentos biológicos, e a sobrevivência dependia completamente desse sistema.
Na evolução, o comportamento alimentar dos homens se tornou complexo e movido pelo desejo de prazer ou do desprazer (hedonismo). Mas comer somente o que é mais saboroso pode ser uma das prováveis causas da dificuldade de gerenciar o equilíbrio físico e energético, dando origem a obesidade.Clima, situação geográfica, cultura e religião, aspectos históricos, econômicos, psicológicos e funcionais aumentam a lista de fatores que influenciam as escolhas pessoais. As pessoas buscam não só alimentos necessários para as funções vitais, mas também escolhem itens que têm influência sobre as emoções. Mas por que uma escolha alimentar prevalece sobre outra? Responder a essa pergunta não é tarefa para amadores. Some-se a isso o fato de que cada pessoa reage aos estímulos do paladar de forma única e, portanto, mesmo que estejam inseridos em um mesmo contexto, dois indivíduos podem ter reações diferentes à mesma comida. Os cientistas afirmam que o que se tem são apenas evidências. E elas levam a crer que componentes biológicos e fisiológicos estejam envolvidos no sistema das preferências.
L.Barthomeuf e colaboradores do Laboratório de Psicologia Social e Cognitiva da Universidade Blaise Pascal, Clermont-Ferrand, França estudam se o desejo de comer seria menor na presença obesos ou pessoas de peso normal com diversas expressões faciais. Alguns alimentos foram apresentados sozinhos e depois na presença da mesa com uma pessoa de peso normal e outra obesa, que tinham no rosto expressão de prazer, nojo, ou neutralidade. Os resultados mostraram que comparado com um parceiro na mesa de peso normal em relação a um obeso havia de diminuição do desejo da pessoa para comer, qualquer que seja a expressão facial. Assim, as expressões agradáveis da pessoa com peso normal aumentou o desejo de comer. As influências de expressões faciais não estavam associadas em função do IMC dos participantes. Esses dados foram discutidos no âmbito da teoria da personificação da emoção e das suas implicações em termos de educação nutricional, seja por permitir que as pessoas aprendam a gostar de determinados alimentos intragáveis ou ajudando-os a moderar o consumo de alimentos pela simples visão de um obeso se alimentando.
Fonte: Obesit (SilverSpring)./Out/2009